depois muitas viagens e muitos shows incríveis, um dia eu tinha que voltar para o batente. até por que não sou rica nem nada e preciso trabalhar para pagar a conta. :P
a minha volta ao tribunal coincidiu com as férias de várias pessoas e a sensação agora é que eu e rafaela, as únicas que sobraram praticamente, estamos carregando a vara do júri nas costas. eu assumi as audiências e ela está fazendo todos os expedientes determinados pelos juízes... o trabalho de cinco pessoas agora só para nós duas.
eu nunca tinha feito audiência antes. para mim acusados e testemunhas eram só nomezinhos nos mandados que eu digitava, imprimia e entregava para os oficiais de justiça. aí, de repente, estão todos lá na minha frente: com rostos, vozes, opiniões e muita coisa para falar (se é verdade ou não é outra estória).
o meu trabalho? é sentar do lado do juiz e digitar tudo que acontece. antes eu confirmo se todos estão presentes e tudo mais e ainda mando também a escolta subir com detentos. mas o choque de realidade mesmo é lá dentro da sala de audiências. fico impressionada como, primeiro, só tem gente pobre e, segundo, muita gente mais nova que eu parecem ter, pelo menos, dez anos a mais. além disso, quantos assassinatos acontecem por motivos estúpidos... por falta de paciência, por que tomou drogas demais, para mostrar quem é que manda, por causa de uma pretensa infidelidade... uma disputa de egos tão grande que torna a vida humana sem valor.
isso o dia todo cansa... mas é bom saber que estou contribuindo para uma justiça mais célere. até por que não tem advogado preguiçoso que me impeça de ir às 20h de um sexta-feira para terminar uma audiência. e o melhor é que os juízes tão nessa comigo também...
e quando chego em casa, para relaxar, assisto dexter loucamente. até por que não existe essa estória de assassinatos demais na vida de uma pessoa... :P
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