Sexta-feira, Março 25, 2011

spock (1999 - 2011)

minha casa amanheceu mais triste na última terça-feira. perdemos a criaturinha mais cheia de personalidade entre todos os bichos de estimação da casa: spock, nosso querido beagle fujão.

spock foi o presente de natal do meu pai para mim e minhas irmãs no natal de 1999. como finalmente íamos mudar do nosso mini-apartamento para uma casa enorme, tudo o que a gente mais queria era um cachorrinho. ele era a coisa mais linda do mundo com sua cabecinha e orelhas enormes marrons, dorso preto e patinhas, focinho e ponta do rabo brancas e desde cedo já demonstrou a sua maior habilidade: fugir. ainda no apartamento, bem pequenininho, chegamos a encontrá-lo na cozinha dos vizinhos do primeiro andar e, quando mudamos para casa, tivemos que mudar o muro desenhado pelo arquiteto para ele não escapar pelos espaços entre as vigas.

vários foram os apelidos que ele ganhou: "zé areia", por que não podia ver os montes de terra das reformas da casa que se jogava no meio e pelos vários buracos que cavou no quintal; "o cachorro mágico", por que não adiantava todo cuidado que tínhamos em fechar a casa, ele sempre arranjava uma brecha e aparecia no meio da sala todo sujo de areia, coçando eternamente a sua orelha; "véio", por que nunca vimos um cachorro ficar tão grisalho como ele ficou; e muitos outros carinhos como pock, pockinho e popi...

um cachorro tão bobo e mansinho, que, como dá para ver nas fotos, sempre foi alvo de nossas brincadeiras. (não, ele não tomou cerveja de verdade. :P). nunca tivemos a menor preocupação de que as crianças, por mais pequenas que fossem, brincassem com ele... era mais fácil uma delas machucá-lo, do que ele fazer qualquer coisa contra elas. mas também era treloso e desobediente em outros aspectos... além de fugir, rasgava o saco de lixo pra comer sobras de comida e ficava passando mal depois, mas mesmo assim nunca parava de fazê-lo.

a casa está parecendo vazia e sem graça sem ele. sinto falta de me preocupar se ele vai fugir na hora que vou abrir o portão eletrônico para entrar com carro. sinto falta dos seus latidos quando ficava preso, após tomar banho, para não se jogar ainda molhado na areia. sinto falta do jeito que ele coçava a barriga no tapete de plástico como se estivesse se arrastando dentro de uma trincheira. sinto falta de vê-lo comendo a ração no pote, sempre organizadinho, terminando tudo de um lado para depois passar para o outro. sinto falta de ele aparecendo no meu quarto de surpresa... e me sinto um tanto culpada por não deixar ele dormir aqui do meu lado e colocá-lo para fora toda vez. por que esses bichinhos duram tão pouco, hein? :~~

para encerrar, uma música que não posso mais ouvir sem me acabar de chorar:



"vamos embora companheiro, vamos
eles estão por fora do que eu sinto por você

me dê sua pata peluda, vamos passear
sentindo o cheiro da rua

me lamba o rosto, meu querido, lamba
e diga que também você me ama

eu quero ver seu rabo abanando
vamos ficar sem coleira

vamos ter cinco lindos cachorrinhos
até que a morte nos separe, meu amor!"

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