Segunda-feira, Maio 09, 2011

amor em tempos de cólera ou são paulo em tempos de rinite

talvez eu seja a única pessoa que vai a são paulo para relaxar. ou uma das poucas que fazem isso. a verdade é que eu aproveitei uma super promoção da tam e fui passar a semana santa e me mandei pra lá. e dormi até não poder mais... além de curtir meus tios e primos, claro.

o único contratempo da viagem foi o meu ouvido direito que resolveu não colaborar muito comigo. quando o avião pousou, ele ficou entupido e incomodando. não dei muita bola no princípio e achei que passaria rápido, mas não passou. dois dias depois fui parar numa emergência hospitalar e o diagnóstico foi rinite. não fazia nem idéia que podia ser isso e estou em tratamento desde então. ainda bem que alguns dias depois de remédios e lavagens de nariz com soro, o ouvido voltou a funcionar. :)

o post está atrasado, eu sei. ele estava aqui na cabeça a dias, mas ando meio bloqueada para escrever. não sei por que. talvez seja a atual vibe "de luta" por que estou participando ativamente das movimentações grevistas do tribunal onde trabalho. até por que querer aumentar a carga horária de trabalho sem aumentar salário, nem pagar as perdas dos anos anteriores com a inflação, não dá, né? ainda não estou a fim de trabalhar de graça, enquanto os juízes recebem aumentos todos os anos...

voltando para o tema objetivo do post, a viagem para são paulo foi produtiva não só para descansar, mas também para dar uma adiantada nas leituras. finalmente consegui terminar "o amor nos tempos de cólera" de gabriel garcía marquez, livro que estava querendo ler há muito tempo. somente com uns diazinhos de férias consegui um tempinho para dedicar as minhas leituras sem peso na consciência. quer dizer, mais ou menos. :P

tenho que confessar que simplesmente adoro o jeito que o "gabo" descreve os personagens nas suas estórias. tão cheios de peculiaridades e manias divertidamente esquisitas, que até parece que eles estão vivos dentro da cabeça dele, caminhando de um lado para o outro, conversando uns com os outros, decidindo por conta própria os seus caminhos. parece até que tudo o que o garcía marquez precisa fazer é colocar no papel os detalhes desse mundo que acontece em frente a ele. é uma surpresa a cada página ler os livros dele.

por acaso, pesquisando na internet, acabei descobrindo que "o amor em tempos de cólera" é baseado em fatos reais. trata-se da estória de amor dos pais do próprio gabriel garcía marquez que serve de pano de fundo para a trama. assim como o personagem principal do livro, florentino ariza, o pai do escritor era telegrafista e violinista e se apaixonou ainda muito jovem pela mulher que veio a se tornar sua mãe, representada na estória pela personagem fermina daza. por causa da oposição do pai da sua amada, ele teve que criar uma rede de comunicação com a ajuda dos amigos telegrafistas para mandar mensagens para alcançá-la onde ela estivesse, assim como florentino ariza fez quando fermina daza foi levada para longe pelo seu pai para impedir o amor dos dois.

porém ao contrário do pai do escritor, que, como sse pode ver, conseguiu concretizar o seu amor, florentino ariza passa anos amando em silêncio e se sentindo incapaz de amar outra mulher, observando fermina daza vivendo sua vida ao lado de outro homem. por toda vida ele espera uma chance de concretizar o seu amor e até ver o simples reflexo da amado no espelho de um restaurante é capaz de mudar o seu dia. impossível não se compadecer de florentino e até torcer para que fermina fica viúva para que este tenha novamente uma chance com ela...

"mas o exame revelou que não tinha febre, nem dor em nenhuma parte, e a única coisa que sentia de concreto era uma necessidade urgente de morrer. bastou ao médico um interrogatório insidioso, primeiro a ele e depois à mãe, para comprovar uma vez mais que os sintomas do amor são os mesmos da cólera."


mal posso esperar para ler outro livro dele... mas só posso fazer isso depois que terminar a pilha de "não-lidos" que se amontoam no meu apartamento.

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