tudo começou com "queremos tanto a glenda" um livro de julio cortázar que eu queria ler faz tempo. queria ler por que soube que foi por causa de um conto que tem nele, o "historia con migalas", que a banda espanhola migala escolheu o seu nome. e como eu adoro a banda e escuto suas músicas o tempo todo, apesar dela já ter acabado há algum tempo, fiquei curiosa. estava esperando encontrar uma versão dele em português, mas como achei um exemplar em espanhol todo bonitinho numa livraria lá na avenida paulista e já fazia algum tempo que eu estudava espanhol no live mocha para minha viagem à barcelona, resolvi arriscar. a idéia era ter lido antes de viajar para a espanha, para deixar o espanhol afiado, mas toda a ansiedade não permitiu que eu tivesse muita concentração. daí resolvi começar logo que voltei das zoropa.no começo ler cortázar no original foi dureza. ficava agarrada no dicionário e não entendia tão bem os textos. até por que, ler cortázar em português já é difícil, quanto mais numa língua que você não tem tanta fluência. mas, desculpites a parte, com o esforço e com o vocabulário que fui adquirindo, foi ficando bem melhor. tão melhor que a cada conto que terminava de ler, ficava com pena por que o livrinho estava se acabando. acho simplesmente impressionante como ele transforma temas comuns dando a eles um ar de mistério, quase como de sonho. não sei explicar bem como é isso, mas aposto que quem já leu cortázar entende o que estou querendo dizer. além do mais, ler cortázar me faz querer escrever também e, ao mesmo tempo, me deixa sem coragem... queria poder escrever para que pessoas se sentissem como eu me sinto quando o leio, mas com a minha falta de talento fico sem cara de arriscar. :P
acabou o livro e eu fiquei querendo mais cortázar, e fui diretinho aqui pra internet e encomendei dois livros dele: "todos os fogos o fogo" e "as armas secretas". aproveitei a deixa e também encomendei o livro novo de banana yoshimoto: "the lake". daí, enquanto esperava, simplesmente engoli dois livros que ganhei de presente de aniversário: "bordados" de marjane satrapi e "força estranha" de nelson motta.
"bordados" é ótimo, mas para quem já leu persépolis deixa um pouco a desejar por que é bem pequeninho. li em um dia só. e é o mesmo esquema de quadrinhos de persépolis, mas desta vez relatando um encontro das mulheres da família da marjane falando sobre suas experiências de amor e sexo. para mim é bem estranho saber que mulheres de uma país tão repressor quanto o irã podem ser tão liberadas, mesmo debaixo dos seus véus. só assim para conhecer melhor o país do meu iraniano de estimação (vide o post sobre londres). ficou mesmo o gostinho de quero mais... pena que a marjane não tem outro livro do tamanho do persépolis. vou pesquisar, mas pelo que vi os outros quadrinhos dela são curtinhos como esse que eu acabei ler.
já "força estranha", apesar de me surpreender em quase toda a sua extensão por causa de suas extensão por causa de suas estórias mirabolantes, me decepcionou profundamente no final. isso por que no último conto da coleção, eu descobri que todos os outros contos não partiram da cabeça do próprio nelson motta, mas sim de um cara chamado jonas que ganhava a vida a contar estórias na praia de boipeba na bahia. sei que ele pagou uma parte da grana que recebeu pra escrever o livro pro cara, mas eu não teria coragem de assinar como meu um livro cheio de contos que não foram criados por mim. foi mal, nelson motta, sei que o cara morreu e tal, mas mesmo assim ele merecia um crédito na capa e não só no último conto. me senti enganada...
depois de ler esses dois livros, finalmente chegou minha caixinha recheada da livraria saraiva. quando a abri e vi o exemplar lindo de capa dura da banana yoshimoto não teve como me agarrar a ele primeiro. li cada página querendo que "the lake" não acabasse nunca e, apesar de não ser o melhor livro dessa escritora japonesa que já li, já estou morrendo de saudade da delicadeza que só encontro em suas estórias. não sei se é por que eu me identifico profundamente com a tristeza das personagens da yoshimoto, que até me fazem ficar com os olhos cheios d'água durante toda a estória, ou se é uma coisa geral que acontece com todo mundo que lê os livros dela. acredito que seja a primeira opção, até por que, mesmo sendo uma das minhas escritoras favoritas, não indicaria um livro dela para qualquer pessoa... tem que ter uma coisa meio blue no que tange a sentimentos para poder se dar bem com ela. mas isso é só o que eu acho... vai ser ótimo se alguém me provar o contrário.a idéia agora era ler os livros de cortázar que chegaram, mas voltei a minha fase japonesa pós-banana yoshimoto e agarrei "elephant vanishes" do haruki murakami. este livro faz parte da montanha de livros dele que trouxe da inglaterra e que me seguro para ler apenas um de vez enquanto para não acabar tudo que o murakami já publicou de uma vez só. e esse é outro que me deixa louca de vontade de escrever também e morrendo de vergonha de tentar ao mesmo tempo... ai, ai...
2 comentários:
eu tenho as armas secretas. o conto "o perseguidor" é bom na mesma medida que é agoniante, principalmente se tu também gostar de charlie parker.
armas secretas será o próximo da fila então! :)
conheço pouco de charlie parker, mas já procurei aqui no u2b e tou ouvindo.
kissu :*
Postar um comentário