parrí...fui a paris para saber que eu preciso voltar a paris. para saber que eu realmente não tenho paciência nenhuma para programas de turista e que o bom mesmo é andar pela cidade como se fosse um local. ou quase.
mas não podia ir a paris sem pisar no louvre. que, cá pra nós, parece um grande shopping center em forma de museu. sorte que meu companheiro de viagem, meu amigo gone, pensava de uma maneira parecida com a minha e antes mesmo de chegarmos lá já tínhamos decidido tudo que íamos ver: o código de hamurabi, a vênus de milo, a deusa nike e a "pop-star" monalisa. daí seguimos o mapa, vimos tudo que queríamos e fomos embora rapidinho. podem me chamar de herege, mas tenho zero paciência para ficar olhando peças de barro feitas por civilizações antigas. mas tenho que dizer que foi de arrepiar ver o que tínhamos escolhido de perto, depois de passar a vida inteira só conhecendo essas obras por fotos nos livros de história. pena que tem tanta gente ao mesmo tempo que não dá para observar com calma... junto da monalisa mesmo só consegui ficar perto um segundinho por causa da multidão que a cercava.
o museu que eu mais gostei, entretanto, foi o d'orsay. beeeem menor, focado mais em obras de arte, foi nele que vi vários quadros de van gogh de perto e tomei um susto ao entrar numa salinha e dar de cara com meu quadro preferido de monet, aquele da moça com a sombrinha. tenho um poster dele no meu apartamento e nem sabia que ele estava lá. no d'orsay, consegui olhar as coisas todas com calma e eu ainda fui no primeiro domingo do mês lá, quando todos os museus de paris têm entrada gratuita.
além dos museus, não podiam faltar as idas à basílica sacre-coer, ao moulin rouge, ao invalides, à champs-élysées para gastar muitos euros com maquilagem, ver o arco do triunfo de perto, passear no sena no bateaux-bus, subir no topo da torre eiffel, apesar de todo medo de altura, e visitar os túmulos do cemitério de pere lachaise. minha mãe até me criticou por ter ido num cemitério, mas tinha que ver os túmulos de allan kardec, jim morisson, chopin, balzac, molière, piaf, oscar wilde e tantos outros de perto apesar do dia chuvoso e do clima macabro do lugar com vários corvos gralhando.
mas o bom mesmo, na minha opinião, era ficar de bobeira em paris. sair andando na beira do sena, vendo a cidade que é, de fato, lindíssima. comprar um baguete e um vinho e ir a um parque qualquer e sentar na grama que, diga-se de passagem não tem formigas para atacar a gente, e ficar olhando o tempo passar. senti falta de não ter mais tempo na cidade só para fazer isso.
meus passeios favoritos, sem dúvida, foram os que envolveram vinho barato e jogar conversa fora em algum parque. adorei ter ido ao champs de mars à noite para ficar observando a torre eiffel iluminada tomando vinho em xícaras de plástico e comendo queijo temperado. também foi ótimo quando encontramos uns amigos de gone perto da catedral de notre dame e comemos os falafels mais incríveis do mundo, estouramos uma espumante e depois voltamos correndo para o hotel tomando o maior banho de chuva da minha vida (com direito a raios assustadores e tudo mais). como não podia deixar passar em branco, também comemoramos o aniversário do meu pai, na beira do sena no bairro de saint-michel, com merlot que custou 1,99 euro a garrafa e um muffin de chocolate pra servir de bolo. fizemos até um vídeo bem leso cantando parabéns, idéia minha, claro, e ficamos lá de bobeira vendo o sol se pôr às dez e meia da noite. além disso, ainda banquei a européia e peguei um solzão deitada na grama do parque buttes chaumont, bebendo vinho quente - claro! e tive a maior dor de cabeça do universo e além depois, mas isso a gente supera.
não fui a versailles, não andei de balão como tinha planejado e não fiz tantos outros passeios incríveis que devem haver por lá. mas um dia eu volto, parrí, e sabendo falar francês de preferência...
ps: tou com preguiça de postar fotos aqui, mas se alguém tiver curiosidade, todas as fotos estão aqui.
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