sexta-feira, setembro 23, 2016

barcelona

quando cheguei a barcelona, tive a sensação de que estava voltando para casa. e que sensação boa.

saindo do aeroporto eu já sabia exatamente onde pegar o ônibus circular que leva à estação, cujo trem me deixa na porta do hotel quase hostel onde me hospedo toda vez e que tem um edifício construído por gaudí ao lado.

gosto tanto daquela cidade (e como fico hospedada numa região bem central) que quase não tenho vontade de pegar transporte público. saio andando na direção da cidade velha para me perder e me achar por entre as ruazinhas estreitas com seus prédios antigos. eu não sei explicar direito o que sinto quando estou por lá, é uma mistura de deslumbramento e pertencimento e, a cada cinco minutos, ficava sacudindo meu amigo e falando: “olha, gustavo, estou em barcelona de novo”!

a novidade boa é que minha hamburgueria preferida que fica na barceloneta (se chamava kiosco e agora é bacoa), abriu uma filial bem pertinho do meu hotel-casa e o sanduíche continua tão maravilhoso quando eu lembrava. o meu preferido é o machego que vem com queijo e cebolas caramelizadas e eu sempre peço que venha com pão australiano, bacon e batatas rústicas e com uma cervejinha epidor da moritz para acompanhar. engraçado foi que, enquanto eu fazia o meu pedido, o rapaz do caixa só fazia concordar comigo dizendo que era o pedido preferido dele também.

depois do hambúrguer, tive que mostrar ao meu amigo o meu pub preferido da cidade, o manchester, sujinho, escuro e com cerveja barata, no bairro el raval. de lá saímos de bar em bar, sem nenhuma indicação, só olhando pelo lado de fora os que mais nos agradavam provando cervejas espanholas ou não até terminar a noite na sala apolo, onde dançamos até as cinco da manhã. e o melhor de tudo foi que fizemos todo o percurso da ida e da volta andando, mesmo sendo noite.

é, com certeza, uma das cidades mais bonitas que já visitei. tá... eu já fui a paris e achei bem bonita também, mas eu acho que o ares catalães combinam muito mais comigo. daí, por favor, não me chamem de louca por falar que gosto mais de barcelona do que de paris, por que eu gosto mesmo. as construções de gaudí, a praia, o bairro gótico, as ramblas, o parque de montjuic...  todo o conjunto me agrada muito.

continuo gostando muito de lá, mesmo depois de ter passado uma experiência traumática com meu amigo que faleceu este ano. andei de ambulância, praticamente morei na sala de espera do hospital enquanto ele estava internado no semi-intensivo e chorei sozinha a noite, pedindo a barcelona que ela, por favor, não me decepcionasse. e ela não me decepcionou e eu trouxe meu amigo são e salvo de volta para casa. este meu retorno foi como fazer às pazes com a cidade e agora sinto que nada do que passei afetou o meu sentimento por ela.

na noite do último dia em barcelona, eu, simplesmente, não conseguia voltar para hotel. pouco importava quantas horas eu havia andado naquele dia, eu queria aquela última voltinha no quarteirão para implorar ao garçom do pub da esquina pela última saideira. se eu pudesse, ainda estava por lá caminhando...

segunda-feira, setembro 05, 2016

wanderlust

acho que essa é uma das minhas palavras preferidas do inglês. segundo um dicionário que eu acabei de olhar por aqui, trata-se de uma expressão derivada do alemão que significa um desejo muito forte, um impulso irresistível de viajar. e eu, com certeza, sofro profundamente de “wanderlust”, 24 horas por dia, 365 dias por ano. 

acho que só não viajo mais por que tenho que manter o meu emprego para pagar as contas das viagens. como uma boa capricorniana pé-no-chão, eu ainda preciso de um pouco de estabilidade e talvez por isso ainda não larguei tudo e fui embora de vez. mas estou sempre matutando sobre melhores maneiras de fazer minhas férias renderem para poder passar mais tempo viajando e trabalho como mesária em todas as eleições para ganhar dias de folga extra.

talvez o título dessa postagem devesse ser outro. algo como: “oops!... i did it again”. isso por que há poucos meses falei dos meus desejos de ano novo e como eu queria viajar menos para juntar dinheiro para comprar meu apartamento. mas eu ainda quero.

o problema (ou a solução?) foi que eu recebi uma proposta quase irrecusável para viajar desta vez de um amigo meu. aí meu lado viajante falou muito mais alto e lá vou partir de novo para europa ainda esta semana.  

vai ser minha primeira vez em um cruzeiro, que vai sair de barcelona, uma das cidades que eu mais adoro nesta vida. vamos passar também por marselha, gênova, nápoles, messina, la valetta e palma de maiorca. eu nunca antes sequer pensei concretamente em viajar de navio, mas, como disse, foi uma proposta quase irrecusável. ansiedade é boia aqui.

quinta-feira, agosto 25, 2016

que você seja feliz

tem uma coisa que o budismo me chamou a atenção, que é bem óbvia, mas que deve passar despercebida pela maioria das pessoas que é: todos estão aqui, nesta vida, apenas buscando a felicidade e tentando se livrar do sofrimento. como eu disse antes, muito óbvio, né? tudo que a gente faz nessa vida, incluindo os “murros em ponta de faca”, que ocasionalmente damos, é para buscar satisfação e correr da tristeza e outros sentimentos ruins.

foi mantendo isso na cabeça, que, de certa forma, comecei a ver as pessoas ao meu redor de maneira diferente e tenho sentido uma espécie de alívio. tenho tentado julgar menos (o que é difícil, mas estou tentando) e tenho procurado apreciar mais as qualidades positivas dos outros. afinal, quando alguém faz uma besteira que nos incomoda é só por que ela estava tentando ser feliz do mesmo jeito que a gente sempre está, não é? fazer isso é muito dureza, principalmente considerando meu temperamento explosivo e um consideravelmente dramático.
 
um dos métodos que o budismo aponta para ajudar nesse processo é chamado de metabavana, a meditação da bondade amorosa ou amor universal. a prática é mais ou menos simples e não precisa que você fique na postura de meditação formal. basta desejar a felicidade e a liberação do sofrimento para você, para uma pessoa que você goste muito, para uma pessoa neutra (alguém que você vê com frequência, mas não conhece), uma pessoa com você tem dificuldades (parte hardcore) e depois estender esses desejos para todas as pessoas do mundo. existem algumas frases já pré-determinadas para ajudar quem está começando, tipo:

    que ____ seja feliz.

    que ____ não sofra.

    que ____ encontre as verdadeiras causas da felicidade.

    que ____ supere as causas do sofrimento.

    que ____ supere toda ignorância, carma negativo e negatividades.

    que ____ tenha lucidez.

    que ____ tenha a capacidade de trazer benefício aos seres.

    que ____ encontre nisso a sua felicidade.

(o traço ___ é o local onde você coloca o nome de alguém)

isso é só um guia, se preferir é possível que você crie as suas próprias frases.

o interessante da prática da metabavana é que você começa desejando essas coisas todas primeiro para você mesmo. pode parecer meio egoísta, mas é bem importante. nessa hora eu me confronto com tudo  que não aceito sobre mim mesma e sobre todos os momentos que eu preferiria ter agido de outro modo e percebo que eu também, do mesmo jeito que todo mundo, só errei por que estava buscando ser feliz e fugir do sofrimento. e cheguei a conclusão que muitas vezes eu me desaponto com as pessoas, por que exijo delas um nível altíssimo de perfeição que eu exijo de mim mesma. mas eu não sou capaz de atingir esse nível de perfeição, nem as outras pessoas. isso me ajudou muito a sair do processo depressivo que eu estava enfrentando há muito tempo e, inclusive, consegui largar os remédios e deixei de ir para terapia por que só estava falando com a psicóloga sobre como estava conseguindo entender melhor como minha mente funcionava e estava conseguindo me puxar para fora da espiral decadente.

imagina um mundo no qual todo mundo é feliz e não sofre? acho que não tem coisa melhor para se desejar. então vou continuar nessa onda e ver até onde eu chego.

agora, difícil mesmo, é desejar a felicidade para os motoristas barbeiros do trânsito desta cidade. hoje mesmo estava numa fila enorme de carros e veio uma criatura, pela contramão, e furou a fila. na mesma hora fiquei com ódio e fiquei xingando ele de tudo na minha mente, até que me dei conta que ficar com raiva dele só estava fazendo mal a mim mesma. então, fiz um pouquinho de metabavana pra ele, fiquei calma de novo e saí cantando no carro. cheguei no trabalho me sentindo ótima. :)

terça-feira, agosto 16, 2016

jesus, etc



eu costumava a criticar - e muito - meus amigos mais velhos que só escutavam músicas dos anos 80. isso foi no início dos anos 2000, mas, hoje, tenho medo de estar ficando igual a eles.

há uns 15 anos atrás, apesar da internet ainda estar "começando" e da velocidade ser muito lenta, eu vivi momentos muito legais, lendo sobre bandas no allmusic, baixando músicas (soulseek, oi?), escutando a rádio woxy e visitando tantos outros sites que não consigo lembrar o nome agora. era uma sensação bem boa, de que, a qualquer momento, eu podia descobrir a minha mais nova canção favorita. e foi nessa época que conheci quase todas as bandas que eu sou viciada até hoje... wilco, decemberists, tindersticks, flaming lips e tantas outras, que ou estavam gravando naquela época ou eram clássicos que até então eu não conhecia (como o imortal, nick drake).

naquela época eu era apenas uma estagiária e, com o valor da minha bolsa, eu só podia sonhar em ir ao primavera sound em barcelona. era quase masoquismo olhar a lista de bandas do festival, pois a grande maioria das bandas eu conhecia e gostava (umas mais, outras menos).

hoje em dia, já realizei o sonho de ir para o primavera duas vezes. vi flaming lips, pulp, nick cave, blur, interpol, of montreal, belle and sebastian e tantas outras bandas ótimas, que a carol de 2004 ia, com certeza, morrer de orgulho da carol de 2016.

mas o que me preocupa é que, de uns tempos para cá, eu tenho notado que parei nesse período da minha vida (o início dos anos 2000) do mesmo jeito que meus amigos ficaram parados nos anos 80. não é que eu seja obrigada a sempre procurar por bandas novas para gostar, não é isso. a verdade é que eu tenho sentido falta daquela "emoção" que era descobrir uma nova música linda.

além disso, olho para os pôsteres do primavera sound e, apesar de ainda conhecer muitas das bandas, não é a mesma coisa. sinto como se a maioria dos nomes da lista são coisas completamente desconhecidas. baixo playlists e mais playlists no deezer, procurando algo que me emocione, mas isso tem acontecido muito raramente. não acho que bandas legais novas estejam em falta. acho mesmo que o problema é comigo... estou ficando velha, chata e apegada as bandas que eu gostava aos vinte anos. só queria saber como fazer diferente.

(ps: o clipe e o título do post são de uma das primeiras músicas que ouvi do wilco - em 2002 - e uma das minhas preferidas até hoje.)

quarta-feira, julho 27, 2016

god bless america

eu sempre digo que quem decide o destino da minha próxima viagem é a promoção... e isso é verdade na maioria das vezes.

ano passado foram duas passagens que surgiram por preços quase irrisórios: 300 reais para brasília - amsterdã (ida e volta) e 100 doláres para porto alegre - genebra (também ida e volta). sorte minha que tenho minha companheira de aventuras, pois é só ligar para ela e 10 minutos depois já estamos com as passagens compradas. também tenho sorte de ter uma chefe ótima que sempre arruma um jeito para que eu possa marcar minhas férias de acordo com as promoções que eu acho.

antes que alguém pergunte (se é que alguém lê este blog), eu descubro a maioria dessas promoções acompanhando o site e o aplicativo do melhores destinos e, segundo meu tio, até desenvolvi uma nova patologia que é ficar o tempo todo falando das promoções de viagem que aparecem nas notificações do meu celular. :P

foi numa dessas minhas buscas por passagens aéreas baratas que acabei indo parar nos estados unidos de novo. sabia que iria para o canadá, por que já havia prometido a minha amiga, mas, para decidir de onde iria voltar, peguei a programação de viagem dos meus outros amigos e fiquei olhando qual combinação daria o menor preço. foi assim que comprei passagem de ida para toronto e volta de nova york. e, depois de cascavilhar ainda mais preços e destinos, resolvemos fechar a saga passando por washington d.c., philadelphia e nova york.

(ah... muitos poderão dizer que acabei gastando mais no final por que fiquei mais dias fora de casa e blablablá. mas para mim, o importante mesmo é viajar... e, se tiver na companhia de amigos, melhor ainda). 

são três anos seguidos que eu vou para os estados unidos todos os anos. não por que eu seja maluca pelo país, porém as coincidências da vida e das passagens baratas me levaram a isso. eu adoro nova york, é verdade... acho que posso ir milhões de vezes para aquela cidade que nunca vou enjoar, mas, por favor, se alguém me ouvir dizer que quero voltar para a flórida tão cedo, pode me amarrar no pé da cama até que eu mude de ideia, ok? (ainda bem que desta vez eu saí desse ciclo vicioso).

e o que eu posso dizer sobre essa parte americana da viagem? bem... adorei washington, principalmente por, apesar de ser a capital de uma das maiores potências do mundo, ter vários bairros arborizados com casinhas bonitinhas e coloridas em vez de trocentos arranhas-céus que mais parecem banheiros gigantes como aqui no recife. também adorei a philadelphia, ainda mais por ter ficado na casa de um amigo que nos levou para bater perna pela cidade inteira (foram mais de 20 km percorridos a pé em cada dia), que me fez ver um lado menos turístico da cidade... e se tem uma coisa que eu adoro fazer em viagem é andar sem destino para ver se consigo sentir um pouquinho da essência da cidade que eu estou visitando.

mas aprendi uma coisa muitíssimo importante: nunca mais viajar no verão (a não ser que seja para ficar num resort na beira da praia, tomando bons drinks). torrei demais em washington e isso acabou sendo desgastante demais. por sorte, peguei um tempo melhorzinho em philly e nyc, mas ainda assim estava quente. melhor mesmo é viajar num clima de 15 graus, com casaquinho leve e sem maquiagem derretendo.

também lembrei que, por mais que seja bom viajar, passar mais de 20 dias longe de casa acaba se tornando cansativo... até por que eu gosto de andar muito. eu acabo exagerando por que tenho essa loucura por viajar, mas preciso lembrar que viagens mais curtas e com menos escalas acabam sendo mais proveitosas. sem contar que, voltei tão cansada dessas últimas férias que o que eu mais preciso agora são férias das férias. :P