domingo, dezembro 27, 2020

it’s the end of 2020 and i feel fine

 a pessoa bêbada apaga posts passados sem querer, mas tá tudo bem. é 2020 e se você conseguir chegar “inteiro” até agora, você é um vencedor.

eu me sinto vencedora, de certa forma. peguei covid, meus pais, avó, irmã e sobrinha... e estamos aqui terminando o ano juntos. a sanidade mental não anda nas melhores condições, mas isso é de menos neste ano, não é?

mas acho que aprendi muitas lições valiosas este ano. principalmente de como deixar de lado planos profissionais irreais (pelo menos pra mim). e de aprender de que como tudo que já tenho é bem maravilhoso (o que é bem difícil).

deixar de lado toda a ansiedade e medo do passado talvez tenha sido uma das melhores coisas que aprendi este ano. também aprendi a falar muita coisa que antes tinha medo de falar. aliás, para que esse medo todo, né? a gente está aqui neste mundo para viver mesmo e o que deu certo deu e o que não deu é a vida.... não é verdade?

desde março estou na casa dos meus pais cuidando dos meus sobrinhos e tou sofrendo em ter que voltar para minha casa e não os ver todos os dias. mas também estou com saudade do meu apartamento. mas já me decidi a voltar depois do ano novo, não sei como. meus sobrinhos são as coisas mais preciosas que ganhei nesta vida.

já até acharam que eu não queria ter filhos por coisas que escrevi neste blog, mas não é isso. eu não quero produção independente, nem ter filhos com alguém que não queira. eu queria ter filhos se fosse para ter uma família... com todas as todas incluídas.

em janeiro, completo 40 anos, apesar de não me sentir com essa idade toda. o negócio agora é colocar em prática as lições que aprendi no último ano e pensar mais no que me faz feliz do que na minha idade cronológica.

eu já tenho um emprego que me dá condições de viver a vida que sonhava quando comecei este blog. posso ler trocentos livros por ano, viajar pelo mundo e, ainda assim, pagar todos os boletos em dia. do que é que eu tenho que reclamar, né?

sexta-feira, dezembro 11, 2020

diário de quarentena nº 1000

pensei que eu ia conseguir escrever aqui toda semana. pensei. pensei. pensei. e me enganei.

minha melhor amiga perdeu o pai para o covid. eu peguei covid. meus pais de 66 anos também. assim como minha avó de 91.

na minha família tivemos muita sorte. todo mundo saiu bem. minha mãe passou uma semana internada, mas se recuperou. eu e meu pai só passamos uns dias com uma gripe forte. e vovó com uma tosse esquisita.

mas minha amiga perdeu um primo de 46 anos e, agora, o pai de 75 (que se fosse olhar os exames de sangue era até mais saudável que eu).

que doença maldita, meu deus. 

eu não sei consolar minha amiga... talvez não seja pra saber mesmo.

eu tinha tanto medo de perder meus pais no início, mas sou tão sortuda nesta vida que eles estão bem aqui comigo. me sinto meio mal por ter tanta sorte. o que eu fiz que minha amiga não fez?

sexta-feira, novembro 10, 2017

do que eu falo quando eu falo de corrida

quando li o livro de murakami, que tem o mesmo título deste post, senti uma empolgação para começar a correr. se ele, que começou quando tinha mais ou menos a minha mesma idade e ainda estava acima do peso e era fumante, tinha conseguido se tornar um ultamaratonista (leia-se: participou de corridas de 100 km), eu também conseguiria correr pelo menos uns 10 km, né?

não comecei imediatamente após terminar o livro, mas, cerca de um ano depois, quando descobri um aplicativo chamado (vergonha) "corrida pela perda de peso" (ou algo do gênero), foi que o vício começou. quando falo em vício, é por que vicia mesmo, apesar de não ser muito fácil no princípio. até o corpo entrar no ritmo da corrida, parece que você está se impondo um esforço absurdo e, por isso, acho que muita gente não consegue ir em frente com o esporte. além disso, tem as dores, comuns a todos os exercícios físicos, que atrapalham um bocado, mas, usando o equipamento adequado (aka tênis específico para o meu tipo de pisada), as minhas dores no quadril e no joelho diminuíram bastante.

iniciei fazendo uns treinos intervalados na esteira mesmo da academia e, aos poucos, fui me empolgando. com o tempo, vi que já conseguia correr 5 km sem parar e tomei coragem para me inscrever na primeira corrida de rua. aí lá fui eu, num domingo às cinco e meia da manhã, sair de casa para chegar a tempo para a largada que seria às sete. foi muito estranho sair assim tão cedo num domingo, enquanto todos estavam dormindo (ou ainda tomando a milhonésima saideira em algum bar), mas, chegando lá, foi como todo um mundo novo se abrisse para mim. um montão de pessoas diferentes, de idades e tipos físicos mais variados, todos juntos lá para correr. tem música, você encontra amigos, conversa, tira fotos... e o melhor de tudo: você consegue terminar a prova sem morrer no meio. é uma sensação boa demais.

a experiência foi tão divertida, que desde então não parei mais. só não me inscrevo em mais corridas por que é caro, mas a vontade mesmo é participar de todas. hoje em dia, dormir cedo no final de semana para chegar com tranquilidade antes da hora da largada, nem é mais assim tão difícil.

é muito legal ver o quanto a gente melhora a cada corrida. em pouco tempo a gente vai conseguindo ficar cada vez mais rápido e isso só nos empolga para continuar. depois de algumas corridas de 5 km, vi que já estava conseguindo correr 7 km e meus amigos corredores começaram a dizer: "quem corre sete, corre dez". e eu resolvi encarar.

no dia 27 de maio deste ano, corri 10 km oficialmente pela primeira vez na "night run - etapa yellow", aqui em recife. terminei a prova, morrendo, em 01h16min. mas foi uma emoção tão grande terminar, seja lá em que tempo fosse. de lá para cá, participei de outras tantas corridas com a mesma distância e, no último sábado, 04 de novembro, terminei a corrida "eu amo recife - ano V" em 01h01min. em seis meses, mais ou menos, baixei meu tempo em 15 minutos e eu achei isso bem impressionante. mal posso esperar pela próxima corrida oficial para completar os 10 km em menos de uma hora.

eu ando meio monotemática nas redes sociais. basicamente, só posto fotos de corrida, só falo em corrida, mas o que eu posso fazer se é uma das coisas que tem me deixado mais feliz nos últimos tempos? é um vício, como falei antes, mas acredito que é um vício bom. e para piorar (ou melhorar?), cada vez mais conheço mais pessoas que também são loucas por corrida e isso acaba virando um ciclo vicioso. por sinal, recentemente entrei em um grupo de corrida chamado "acorja (associação dos corredores da jaqueira)", do qual eu há algum tempo estava querendo participar e não me atrevia, e estou bem orgulhosa por que tenho conseguido correr pela cidade com eles sem ficar muito para trás. por sinal, é muito melhor correr na rua com a galera do que ficar dando voltas infinitas no parque da jaqueira.

no começo do livro, murakami cita um outro corredor que dizia: "a dor é inevitável. sofrer é opcional". estou falando sobre isso, por que, apesar de toda a minha empolgação nos parágrafos anteriores,  acho que preciso alertar que correr causa muitas dores. principalmente quando você não usa os equipamentos adequados. foram várias as corridas que eu terminei com o peito sangrando por que estava usando um top frouxo demais e, até hoje, não consegui resolver o problema do meu joanete que me faz sentir muitas dores no meu pé direito. isso atrapalha bastante, mas eu não pretendo desistir por isso. acho que os benefícios que a corrida me traz são bem maiores do que essas dores. aí eu sempre lembro dessa citação e sigo em frente correndo e procurando alternativas para solucionar esses problemas.

agora, minha meta é correr minha primeira meia maratona e já estou treinando para isso. já estou até sonhando em viajar para outros países para participar de provas de corrida e eu sei que, com paciência e dedicação, eu chego lá.

quarta-feira, março 22, 2017

pode acabar tudo enfim... mas deixem o frevo pra mim!

meu relacionamento com o carnaval começou muito tarde, principalmente, pelo fato de eu ser uma recifense. para ser exata, o primeiro carnaval que eu brinquei de verdade, foi no ano em que eu completei vinte e oito anos. foi com um coração partido e uma necessidade avassaladora de acabar (seja como fosse) com aquela sensação de abandono, que acabei indo parar nas ladeiras de olinda.

acho que cada pessoa tem o seu jeito particular de reagir à tristeza e, infelizmente, acho que o meu é um tanto destrutivo. hoje em dia, tento me policiar para não reagir de forma tão extremada, mas, naquela época, estava topando qualquer coisa que pudesse me fazer esquecer, nem que fosse por um milissegundo daquela dor que eu estava sentindo. aí foi no meio de ressacas homéricas e várias ficadas sem sentido, que eu dei de cara com o carnaval ali de pano de fundo. cheio de cores, música e alegria, no meio de tanta loucura.

mas com o passar dos anos, muita coisa mudou. me vi apaixonada pela festa como um todo: as fantasias, a música e o frevo, tudo debaixo de sol e regado de muita cerveja. passei por momentos que para mim são bastante memoráveis, como ver o dragão do bloco "eu acho é pouco" descendo a ladeira da rua 15 de novembro, com o sol se pondo ao fundo e todos batendo palmas e cantando "olindaaa... quero cantaaar".  acho que só de pensar nessa cena, eu me emociono um pouco. assim como quando vou para a primeira prévia do ano e escuto o primeiro frevo. não sei explicar, mas é uma sensação maravilhosa.

quando era mais nova, minha família até chegou a me arrastar para olinda, uma vez ou duas. mas como uma boa adolescente metaleira, não podia gostar, né? tinha que manter a pose. até por que eu era tímida por demais e insegura demais sobre a minha aparência, para poder me "expor" assim daquele jeito. além disso, a multidão me amedrontava e muito. mas isso só me mostra como as pessoas são capazes de mudar completamente nesta vida, principalmente se for comparar com a forma que elas agiam na adolescência.

o carnaval deste ano foi completamente diferente do meu primeiro carnaval. foi uma mudança que foi ocorrendo gradativamente. fiz um montão de fantasias e fui  a prévias e blocos muito bem escolhidos, com orquestras de frevo muito boas. inclusive, aprendi este ano que se a orquestra tem uma tuba branca, é sinal de que é de qualidade. conheci pessoas maravilhosas, tão apaixonadas pela folia quanto eu e até mais. acho que, como destaque do ano, tenho que falar do bloco "escuta levino" que sai na quinta-feira antes do carnaval e tem a apresentação do grupo de frevo "guerreiros do passo", que tenta resgatar um pouco do frevo como ele era antigamente. um espetáculo lindo de ver.  este foi meu segundo ano no bloco e tenho certeza que farei de tudo para não perdê-lo de forma nenhuma.

agora, enquanto espero por mais um ano para o próximo carnaval, estou aqui com a inscrição feita num curso de frevo, que vai começar em alguns dias. quem diria, né? e eu tenho certeza que vou adorar.

segunda-feira, fevereiro 20, 2017

das resoluções de ano novo (concluídas?!)

desde dezembro ando meio em estado de choque. eu não sei exatamente o que houve, mas, de uma hora pra outra, virei uma pessoa de atitude e, nos quarenta e cinco minutos do segundo tempo, cumpri a promessa que tinha feito a mim mesma para 2016 e comprei um apartamento.

a sensação é que, em pouquíssimo tempo, eu passei da etapa de olhar os anúncios na internet para ir visitar os imóveis e, quando menos esperava, já estava lá comprando. de fato, o processo durou cerca de seis meses. não sei se foi demorado ou se foi rápido demais para as outras pessoas acostumadas a comprar imóveis, só sei que senti que aquele era o meu apartamento (não me perguntem por que). 

ainda não recebi as chaves, pois estou no meio do longo processo para conseguir o financiamento do banco. mas já assinei o contrato de compra e venda e paguei boa parte da entrada. aliás, ir ao banco para autorizar a transferência dessa grana enorme para o vendedor foi uma experiência a parte. lá estava eu, tentando aparentar normal, enquanto por dentro eu estava completamente apavorada, com medo de fazer alguma besteira ou de ter sido uma decisão ruim. 

apesar de ter sido, de certo modo, mais fácil decidir, já que só coube agradar a mim mesma na hora de escolher o apartamento, também teve o lado não tão bom de não ter alguém do meu lado para dizer que também gostou e que aquela era a escolha certa. é claro que vários amigos e parentes apoiaram minha decisão, mas, ainda assim, não é a mesma coisa. no final, era só eu ali gastando aquele dinheiro que juntei por todos esses anos e esperando ter acertado. 

fora todo esse meu drama, confesso que tenho sentido muito orgulho de mim mesma. muito feliz por conquistar – sozinha – mais uma coisa que eu desejava muito. quando eu penso nisso, mal posso acreditar que eu, essa criatura medrosa por demais, consegui tirar mesmo esse plano do papel. dá até vontade de ser um pouco mais destemida nesta vida (será?).


mas, como eu disse antes, estou meio que em estado de choque. não consigo pensar em nada para comprar para minha casa ainda, nem tenho conseguido pensar muito nisso ainda. acho até que minha família e amigos tão mais empenhados na decoração do apartamento do que eu. tudo que tenho feito é tentar juntar o máximo de dinheiro que posso. talvez eu ainda esteja com um pouco de medo que as coisas não deem certo. mas estou trabalhando a cabeça aqui para ir vivendo um dia de cada vez.

quarta-feira, outubro 19, 2016

beyond the sea

o que dizer sobre oito dias e sete noites a bordo de um cruzeiro rodando pelo mediterrâneo com drinks ilimitados ao lado de um dos meus melhores amigos?

há dias eu penso em escrever este post e não sai muita coisa.

 a viagem foi ótima... inesquecível, eu diria. mas acho que nem tão cedo toparia embarcar em outro navio desses.

principalmente, por que eu não me sentia livre o suficiente para caminhar pelas cidades em que parávamos. o tempo que ficávamos em terra era curto demais e eu me sentia obrigada a pegar aqueles ônibus de turismo para ter um visão geral do lugar. e, cá para nós, eu não gosto nem um pouco deles. prefiro estudar sobre a cidade com calma e andar doze horas por dia, durante vários dias, até acabar com a sola do pé.

além disso, tinha aquelas breguices que você já espera de um cruzeiro. e também muitos velhos, alguns brasileiros reaças e a grande parte dos jovens eram, na maioria, um bando de italianos inconvenientes. tenho que confessar que apesar de ter amado a itália na minha viagem do ano passado, fiquei com uma impressão péssima por causa dos italianos do navio... muita gente mal-educada e grosseira, que a melhor opção foi ficar longe deles.

mas se eu tou reclamando tanto, por que eu disse que foi uma viagem inesquecível?

por que com meu amigo do lado, acho que me divertiria até na programação mais roubada, quanto mais a bordo de um navio lindo, conhecendo lugares igualmente lindos e com todo o álcool que eu aguentasse consumir. :P

a gente se divertiu demais... principalmente com os funcionários que estavam a bordo. tinha gente de todo canto do mundo por lá, inclusive de lugares que eu nunca imaginava que iria conhecer alguém, como madagascar, congo, mianmar, índia e sérvia. quando a gente chegava nos bares ou restaurantes do navio, sempre tinha alguém que nos chamava pelo nome e vinha nos receber com um sorriso. nunca mais esqueço que "manahoana", é "olá" na língua de madagascar e que nosso amigo congolês gravou um áudio  para nós dizendo algo que soava como "brajavum, brajavum", que teoricamente também significa "olá" na língua dele. (e foi mal phyo de mianmar, mas apesar de você ter escrito num papelzinho como era na sua língua, depois de tantos mojitos, eu não sei onde coloquei). 

dentre os passageiros, os nossos preferidos foram tereza e miguel, um casal português, na faixa etária dos nossos pais, que encontrávamos toda noite no restaurante do navio. miguel era um jornalista aposentado, que já  tinha viajado para acompanhar as eleições em vários países pobres e, se não fossem os brasileiros reaças que sentavam também na nossa mesa, gostaria de ter conversado mais sobre a situação do brasil com ele. já tereza era bem pequeninha e falava pelos cotovelos, com seu cabelo branco sempre muito bem arrumado. eu não me cansava de ouvir as histórias dos seus milhares de empregos diferentes e de seus três netos ("duas raparigas e um pitôco").

nós também fazíamos questão de participar de todas as festas do cruzeiro. toda noite tinha uma. na festa branca, estávamos nós vestidos de branco; na festa italiana, nossas roupas eram da cor da bandeira da itália; na festa dos anos 60, 70 e 80 (meio amplo, né? :P), fizemos o nosso esforço pra não fugir do tema; e na festa de gala, lá estávamos nós com nossas roupas de ir para casamento. e por mais que isso tudo possa soar brega (e é... bastante!), a gente aproveitou da melhor maneira, rindo, dançando, puxando papo com as pessoas e provando os milhões de drinks diferentes (claro!).

para curar a ressaca, praticamente viramos sopa depois de tantas horas de molho na jacuzzi super quente do navio. outra opção era ver as festas na beira da piscina, jogados nas espreguiçadeiras e rir dos "gringos" tentando fazer passinhos ao som de funk carioca.

na hora de desembarcar, bateu uma tristezinha por deixar aquilo tudo pra trás. nem tava mais reclamando (tanto) dos italianos e já estava com saudade ficar olhando aquele marzão enquanto tomava café, de ver a luz da lua refletida naquelas águas durante à noite e de, praticamente todo dia, acordar numa cidade diferente. se não fosse por essa viagem, não teria conhecido malta agora (não estava na minha lista de prioridades) e gostei tanto da capital valetta, que já me vejo pensando em voltar para ter mais tempo para bater perna por lá.

tomamos um aperol spritz de despedida e deixamos o navio para o último dia de viagem em barcelona. e, pensando bem, talvez eu encare um outro cruzeiro, quem sabe, né? principalmente, se for um do weezer. ;)

sexta-feira, setembro 23, 2016

barcelona

quando cheguei a barcelona, tive a sensação de que estava voltando para casa. e que sensação boa.

saindo do aeroporto eu já sabia exatamente onde pegar o ônibus circular que leva à estação, cujo trem me deixa na porta do hotel quase hostel onde me hospedo toda vez e que tem um edifício construído por gaudí ao lado.

gosto tanto daquela cidade (e como fico hospedada numa região bem central) que quase não tenho vontade de pegar transporte público. saio andando na direção da cidade velha para me perder e me achar por entre as ruazinhas estreitas com seus prédios antigos. eu não sei explicar direito o que sinto quando estou por lá, é uma mistura de deslumbramento e pertencimento e, a cada cinco minutos, ficava sacudindo meu amigo e falando: “olha, gustavo, estou em barcelona de novo”!

a novidade boa é que minha hamburgueria preferida que fica na barceloneta (se chamava kiosco e agora é bacoa), abriu uma filial bem pertinho do meu hotel-casa e o sanduíche continua tão maravilhoso quando eu lembrava. o meu preferido é o machego que vem com queijo e cebolas caramelizadas e eu sempre peço que venha com pão australiano, bacon e batatas rústicas e com uma cervejinha epidor da moritz para acompanhar. engraçado foi que, enquanto eu fazia o meu pedido, o rapaz do caixa só fazia concordar comigo dizendo que era o pedido preferido dele também.

depois do hambúrguer, tive que mostrar ao meu amigo o meu pub preferido da cidade, o manchester, sujinho, escuro e com cerveja barata, no bairro el raval. de lá saímos de bar em bar, sem nenhuma indicação, só olhando pelo lado de fora os que mais nos agradavam provando cervejas espanholas ou não até terminar a noite na sala apolo, onde dançamos até as cinco da manhã. e o melhor de tudo foi que fizemos todo o percurso da ida e da volta andando, mesmo sendo noite.

é, com certeza, uma das cidades mais bonitas que já visitei. tá... eu já fui a paris e achei bem bonita também, mas eu acho que o ares catalães combinam muito mais comigo. daí, por favor, não me chamem de louca por falar que gosto mais de barcelona do que de paris, por que eu gosto mesmo. as construções de gaudí, a praia, o bairro gótico, as ramblas, o parque de montjuic...  todo o conjunto me agrada muito.

continuo gostando muito de lá, mesmo depois de ter passado uma experiência traumática com meu amigo que faleceu este ano. andei de ambulância, praticamente morei na sala de espera do hospital enquanto ele estava internado no semi-intensivo e chorei sozinha a noite, pedindo a barcelona que ela, por favor, não me decepcionasse. e ela não me decepcionou e eu trouxe meu amigo são e salvo de volta para casa. este meu retorno foi como fazer às pazes com a cidade e agora sinto que nada do que passei afetou o meu sentimento por ela.

na noite do último dia em barcelona, eu, simplesmente, não conseguia voltar para hotel. pouco importava quantas horas eu havia andado naquele dia, eu queria aquela última voltinha no quarteirão para implorar ao garçom do pub da esquina pela última saideira. se eu pudesse, ainda estava por lá caminhando...

segunda-feira, setembro 05, 2016

wanderlust

acho que essa é uma das minhas palavras preferidas do inglês. segundo um dicionário que eu acabei de olhar por aqui, trata-se de uma expressão derivada do alemão que significa um desejo muito forte, um impulso irresistível de viajar. e eu, com certeza, sofro profundamente de “wanderlust”, 24 horas por dia, 365 dias por ano. 

acho que só não viajo mais por que tenho que manter o meu emprego para pagar as contas das viagens. como uma boa capricorniana pé-no-chão, eu ainda preciso de um pouco de estabilidade e talvez por isso ainda não larguei tudo e fui embora de vez. mas estou sempre matutando sobre melhores maneiras de fazer minhas férias renderem para poder passar mais tempo viajando e trabalho como mesária em todas as eleições para ganhar dias de folga extra.

talvez o título dessa postagem devesse ser outro. algo como: “oops!... i did it again”. isso por que há poucos meses falei dos meus desejos de ano novo e como eu queria viajar menos para juntar dinheiro para comprar meu apartamento. mas eu ainda quero.

o problema (ou a solução?) foi que eu recebi uma proposta quase irrecusável para viajar desta vez de um amigo meu. aí meu lado viajante falou muito mais alto e lá vou partir de novo para europa ainda esta semana.  

vai ser minha primeira vez em um cruzeiro, que vai sair de barcelona, uma das cidades que eu mais adoro nesta vida. vamos passar também por marselha, gênova, nápoles, messina, la valetta e palma de maiorca. eu nunca antes sequer pensei concretamente em viajar de navio, mas, como disse, foi uma proposta quase irrecusável. ansiedade é boia aqui.

quinta-feira, agosto 25, 2016

que você seja feliz

tem uma coisa que o budismo me chamou a atenção, que é bem óbvia, mas que deve passar despercebida pela maioria das pessoas que é: todos estão aqui, nesta vida, apenas buscando a felicidade e tentando se livrar do sofrimento. como eu disse antes, muito óbvio, né? tudo que a gente faz nessa vida, incluindo os “murros em ponta de faca”, que ocasionalmente damos, é para buscar satisfação e correr da tristeza e outros sentimentos ruins.

foi mantendo isso na cabeça, que, de certa forma, comecei a ver as pessoas ao meu redor de maneira diferente e tenho sentido uma espécie de alívio. tenho tentado julgar menos (o que é difícil, mas estou tentando) e tenho procurado apreciar mais as qualidades positivas dos outros. afinal, quando alguém faz uma besteira que nos incomoda é só por que ela estava tentando ser feliz do mesmo jeito que a gente sempre está, não é? fazer isso é muito dureza, principalmente considerando meu temperamento explosivo e um consideravelmente dramático.
 
um dos métodos que o budismo aponta para ajudar nesse processo é chamado de metabavana, a meditação da bondade amorosa ou amor universal. a prática é mais ou menos simples e não precisa que você fique na postura de meditação formal. basta desejar a felicidade e a liberação do sofrimento para você, para uma pessoa que você goste muito, para uma pessoa neutra (alguém que você vê com frequência, mas não conhece), uma pessoa com você tem dificuldades (parte hardcore) e depois estender esses desejos para todas as pessoas do mundo. existem algumas frases já pré-determinadas para ajudar quem está começando, tipo:

    que ____ seja feliz.

    que ____ não sofra.

    que ____ encontre as verdadeiras causas da felicidade.

    que ____ supere as causas do sofrimento.

    que ____ supere toda ignorância, carma negativo e negatividades.

    que ____ tenha lucidez.

    que ____ tenha a capacidade de trazer benefício aos seres.

    que ____ encontre nisso a sua felicidade.

(o traço ___ é o local onde você coloca o nome de alguém)

isso é só um guia, se preferir é possível que você crie as suas próprias frases.

o interessante da prática da metabavana é que você começa desejando essas coisas todas primeiro para você mesmo. pode parecer meio egoísta, mas é bem importante. nessa hora eu me confronto com tudo  que não aceito sobre mim mesma e sobre todos os momentos que eu preferiria ter agido de outro modo e percebo que eu também, do mesmo jeito que todo mundo, só errei por que estava buscando ser feliz e fugir do sofrimento. e cheguei a conclusão que muitas vezes eu me desaponto com as pessoas, por que exijo delas um nível altíssimo de perfeição que eu exijo de mim mesma. mas eu não sou capaz de atingir esse nível de perfeição, nem as outras pessoas. isso me ajudou muito a sair do processo depressivo que eu estava enfrentando há muito tempo e, inclusive, consegui largar os remédios e deixei de ir para terapia por que só estava falando com a psicóloga sobre como estava conseguindo entender melhor como minha mente funcionava e estava conseguindo me puxar para fora da espiral decadente.

imagina um mundo no qual todo mundo é feliz e não sofre? acho que não tem coisa melhor para se desejar. então vou continuar nessa onda e ver até onde eu chego.

agora, difícil mesmo, é desejar a felicidade para os motoristas barbeiros do trânsito desta cidade. hoje mesmo estava numa fila enorme de carros e veio uma criatura, pela contramão, e furou a fila. na mesma hora fiquei com ódio e fiquei xingando ele de tudo na minha mente, até que me dei conta que ficar com raiva dele só estava fazendo mal a mim mesma. então, fiz um pouquinho de metabavana pra ele, fiquei calma de novo e saí cantando no carro. cheguei no trabalho me sentindo ótima. :)

terça-feira, agosto 16, 2016

jesus, etc



eu costumava a criticar - e muito - meus amigos mais velhos que só escutavam músicas dos anos 80. isso foi no início dos anos 2000, mas, hoje, tenho medo de estar ficando igual a eles.

há uns 15 anos atrás, apesar da internet ainda estar "começando" e da velocidade ser muito lenta, eu vivi momentos muito legais, lendo sobre bandas no allmusic, baixando músicas (soulseek, oi?), escutando a rádio woxy e visitando tantos outros sites que não consigo lembrar o nome agora. era uma sensação bem boa, de que, a qualquer momento, eu podia descobrir a minha mais nova canção favorita. e foi nessa época que conheci quase todas as bandas que eu sou viciada até hoje... wilco, decemberists, tindersticks, flaming lips e tantas outras, que ou estavam gravando naquela época ou eram clássicos que até então eu não conhecia (como o imortal, nick drake).

naquela época eu era apenas uma estagiária e, com o valor da minha bolsa, eu só podia sonhar em ir ao primavera sound em barcelona. era quase masoquismo olhar a lista de bandas do festival, pois a grande maioria das bandas eu conhecia e gostava (umas mais, outras menos).

hoje em dia, já realizei o sonho de ir para o primavera duas vezes. vi flaming lips, pulp, nick cave, blur, interpol, of montreal, belle and sebastian e tantas outras bandas ótimas, que a carol de 2004 ia, com certeza, morrer de orgulho da carol de 2016.

mas o que me preocupa é que, de uns tempos para cá, eu tenho notado que parei nesse período da minha vida (o início dos anos 2000) do mesmo jeito que meus amigos ficaram parados nos anos 80. não é que eu seja obrigada a sempre procurar por bandas novas para gostar, não é isso. a verdade é que eu tenho sentido falta daquela "emoção" que era descobrir uma nova música linda.

além disso, olho para os pôsteres do primavera sound e, apesar de ainda conhecer muitas das bandas, não é a mesma coisa. sinto como se a maioria dos nomes da lista são coisas completamente desconhecidas. baixo playlists e mais playlists no deezer, procurando algo que me emocione, mas isso tem acontecido muito raramente. não acho que bandas legais novas estejam em falta. acho mesmo que o problema é comigo... estou ficando velha, chata e apegada as bandas que eu gostava aos vinte anos. só queria saber como fazer diferente.

(ps: o clipe e o título do post são de uma das primeiras músicas que ouvi do wilco - em 2002 - e uma das minhas preferidas até hoje.)

quarta-feira, julho 27, 2016

god bless america

eu sempre digo que quem decide o destino da minha próxima viagem é a promoção... e isso é verdade na maioria das vezes.

ano passado foram duas passagens que surgiram por preços quase irrisórios: 300 reais para brasília - amsterdã (ida e volta) e 100 doláres para porto alegre - genebra (também ida e volta). sorte minha que tenho minha companheira de aventuras, pois é só ligar para ela e 10 minutos depois já estamos com as passagens compradas. também tenho sorte de ter uma chefe ótima que sempre arruma um jeito para que eu possa marcar minhas férias de acordo com as promoções que eu acho.

antes que alguém pergunte (se é que alguém lê este blog), eu descubro a maioria dessas promoções acompanhando o site e o aplicativo do melhores destinos e, segundo meu tio, até desenvolvi uma nova patologia que é ficar o tempo todo falando das promoções de viagem que aparecem nas notificações do meu celular. :P

foi numa dessas minhas buscas por passagens aéreas baratas que acabei indo parar nos estados unidos de novo. sabia que iria para o canadá, por que já havia prometido a minha amiga, mas, para decidir de onde iria voltar, peguei a programação de viagem dos meus outros amigos e fiquei olhando qual combinação daria o menor preço. foi assim que comprei passagem de ida para toronto e volta de nova york. e, depois de cascavilhar ainda mais preços e destinos, resolvemos fechar a saga passando por washington d.c., philadelphia e nova york.

(ah... muitos poderão dizer que acabei gastando mais no final por que fiquei mais dias fora de casa e blablablá. mas para mim, o importante mesmo é viajar... e, se tiver na companhia de amigos, melhor ainda). 

são três anos seguidos que eu vou para os estados unidos todos os anos. não por que eu seja maluca pelo país, porém as coincidências da vida e das passagens baratas me levaram a isso. eu adoro nova york, é verdade... acho que posso ir milhões de vezes para aquela cidade que nunca vou enjoar, mas, por favor, se alguém me ouvir dizer que quero voltar para a flórida tão cedo, pode me amarrar no pé da cama até que eu mude de ideia, ok? (ainda bem que desta vez eu saí desse ciclo vicioso).

e o que eu posso dizer sobre essa parte americana da viagem? bem... adorei washington, principalmente por, apesar de ser a capital de uma das maiores potências do mundo, ter vários bairros arborizados com casinhas bonitinhas e coloridas em vez de trocentos arranhas-céus que mais parecem banheiros gigantes como aqui no recife. também adorei a philadelphia, ainda mais por ter ficado na casa de um amigo que nos levou para bater perna pela cidade inteira (foram mais de 20 km percorridos a pé em cada dia), que me fez ver um lado menos turístico da cidade... e se tem uma coisa que eu adoro fazer em viagem é andar sem destino para ver se consigo sentir um pouquinho da essência da cidade que eu estou visitando.

mas aprendi uma coisa muitíssimo importante: nunca mais viajar no verão (a não ser que seja para ficar num resort na beira da praia, tomando bons drinks). torrei demais em washington e isso acabou sendo desgastante demais. por sorte, peguei um tempo melhorzinho em philly e nyc, mas ainda assim estava quente. melhor mesmo é viajar num clima de 15 graus, com casaquinho leve e sem maquiagem derretendo.

também lembrei que, por mais que seja bom viajar, passar mais de 20 dias longe de casa acaba se tornando cansativo... até por que eu gosto de andar muito. eu acabo exagerando por que tenho essa loucura por viajar, mas preciso lembrar que viagens mais curtas e com menos escalas acabam sendo mais proveitosas. sem contar que, voltei tão cansada dessas últimas férias que o que eu mais preciso agora são férias das férias. :P

terça-feira, julho 05, 2016

blame canada

quando uma das minhas amigas de adolescência (e uma das maiores companheiras de farra) disse que iria fazer pós-doutorado no canadá, eu - imediatamente - garanti que iria visitá-la. mas só no verão... pois o canadá é frio demais e eu não tenho a menor vontade de virar um picolé.

apesar de ter prometido a visita, eu não tinha a menor ideia do que iria fazer lá. mas, assim mesmo, saímos do recife, eu mais três amigos para matar as saudades e nos aventurar pela região no calor.

cada vez mais acho que são as viagens que você cria menor expectativa, que acabam sendo as mais divertidas. em toronto, alugamos um carro e fomos para waterloo, onde minha amiga está morando. como ela não poderia passear conosco durante o dia, aproveitamos para fazer pequenas road trips pela província de ontário (por que as noites estavam reservadas às farras mais homéricas regadas a cerveja).

fizemos muitas coisas diferentes por lá: visitamos cidades muito charmosas e um  parque lindo construído em homenagem a shakespeare; fomos a mercados com verduras e frutas incríveis e várias comidinhas deliciosas; vimos carruagens pretas dos menonitas, uma espécie de povo amish da região, passando ao lado do nosso carro na estrada; conhecemos uma vila com cara de parque temático, toda voltada para o ski, na qual pegamos um bondinho pro topo da montanha para ter uma vista incrível do lago huron; percorremos praias de lago com cara de praia de verdade, praias de lago no meio das montanhas, cachoeiras e trilhas no meio do mato; chegamos de barco pertinho das quedas de niagara falls e tomamos o banho mais divertidos de nossas vidas;  e passeamos de bicicleta por entre vinícolas e uma cervejaria para fazer degustação. isso tudo sem incluir toronto (que merecia um post só seu).

a vista nas estradas era um show à parte: campos enormes de canola todos amarelinhos, fazendas de feno, de pinheiro, de vacas e de cavalos, cidadezinhas lindas de interior com casas tão grandes que só vendo para crer e os pores do sol mais incríveis na volta para waterloo.

o que mais me impressionou, entretanto, é que todas as cidades pelas quais passei, sejam elas grandes ou pequenas,  estavam decoradas com bandeiras do orgulho gay por estar se aproximando a parada de toronto (ou era uma época do ano de homenagem, talvez). eram bandeiras não só em lojas e casas particulares, mas nas prefeituras e outros prédios públicos. só assim para eu acreditar que estamos mesmo em 2016, como o justin trudeau fez questão de afirmar anteriormente. aliás, nunca vou me perdoar por ter estado em toronto um dia antes da parada e ter  perdido o primeiro ministro se jogando no desfile.

segunda-feira, junho 20, 2016

fiquei para titia

hoje está fazendo dois anos do dia que eu passei quase a noite inteira em claro na sala de espera de um hospital só para ver o rostinho da minha primeira e, até agora, única sobrinha (que depois se tornou minha segunda afilhada). foi um momento mágico quando ela apareceu na janela do berçário: apesar de ser gigante como a família do pai dela (52 cm e 4,100 kg), ela tinha no rosto todos os traços da família materna, a minha família... parecia uma miniatura do avô, toda gordinha e rosada, com olhinhos puxados e nariz pequenininho.

apesar de ter me apaixonado perdidamente à primeira vista, tenho que confessar que o fato de virar tia não foi algo que aceitei muito facilmente. eu já devia esperar que algo assim fosse acontecer em breve, até por que as duas irmãs mais novas já casadas e ter um filho é, teoricamente, o próximo passo.

o meu problema é que (vergonha de admitir, mas já admitindo) passei a vida inteira aprendendo a temer o fato de "ficar para titia". acho que no meu subconsciente tinha uma imagem horrível de uma mulher solitária, horrorosa, com verruga no nariz e tudo mais, e muito triste só por que a irmã mais nova tinha tido um filho e ela não. e para piorar, me peguei várias vezes aconselhando minha irmã a esperar, mais por medo do estigma do que por entender a loucura que estava rolando na minha cabeça.

demorou um tempinho, mas eu finalmente me dei conta da minha maluquice. primeiro, eu tenho uma vida ótima, amigos maravilhosos e ainda tenho conseguido realizar grande parte dos meus desejos sozinha, e, segundo, não posso bancar a vítima, pois estar solteira faz parte de várias decisões minhas, que, bem ou mal, me trouxeram até onde estou agora. e quando é mesmo que ter um homem e um filho vão me garantir felicidade absoluta?

eu, inclusive, me dei conta que nem sei se quero ter um filho mesmo. do mesmo jeito que colocaram esse "ficar para titia" na minha cabeça, será que também não colocaram esse história de ter que ter um filho também? tenho pensado muito nisso e talvez algum dia desses eu chegue numa conclusão (antes do relógio biológico disparar, espero).

a verdade é que eu adoro crianças. sempre adorei. participei até da criação de vários primos mais novos (tem toda uma horda de fãs de cultura nerd e música indie na família, por causa disso) e sou madrinha de duas meninas lindas. acho ainda que as crianças também têm uma facilidade enorme de ir com a minha cara: não consigo nem contar quantas vezes uma delas grudou em mim sem que eu tivesse feito nada. nem me acho muito boa nas brincadeiras, só pode ser minha cara de desenho animado. :P

mas não quero, de jeito nenhum, me transformar numa das minhas colegas de trabalho, cujos maridos não ajudam em nada e contratam babá, cozinheira, faxineira e, ainda, folguista, para dar conta do recado. nem muito menos tenho vontade de encarar uma produção independente. acho que só teria um filho se fosse com um pai que realmente quisesse ser pai. por que, na minha casa, eu tive um exemplo incrível: meu pai sempre ficava sozinho com três meninas pequenas no final de semana, enquanto minha mãe estava no plantão. não tinha essa história de folguista não.

por que eu estou falando isso tudo aqui apesar de estar morrendo de vergonha? por que eu penso nas outras mulheres que, assim como eu, ficam sofrendo por essas coisas. mas é muito difícil tirar do sistema uma coisa que você passou a vida inteira sendo treinada para repetir e eu queria mesmo poder ajudar a desconstruir essas ideias malucas que colocam na cabeça da gente. estou tentando começar com minhas afilhadas, que, se depender de mim, não vão perder nem meio segundo com esses dilemas.

agora, sou a titia mais feliz desse mundo por que tenho minha mariana. ela não me chama de titia, só "cauol", mas sou titia sim, com orgulho. não tem coisa melhor do que vê-la entrar correndo, toda estabanada, no quarto, gritando meu nome. meu maior desejo é que ela tenha uma vida sempre alegre como nossas tardes passeando de motoca no parquinho e fazendo amizade com todas as outras crianças que passam por perto.

e quero mais sobrinhos. muito mais! (só não sei se minhas irmãs estão dispostas a me dar. :P)